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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

23
Jan18

"O Primeiro Dente"

João Jesus e Luís Jesus

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Acordou com um grito imenso.

- Mãe, mãe! - Gritava o menino perto de si

Assustada, colocou a sua mão em cima da cabeça dele.

- O que se passa? - Perguntou-lhe

- Olha! Ele vem aí! - Disse entusiasmado

A mãe ergueu o sobrolho. Do que é que o filho falava?

O filho sorriu e abriu a boca, apontando para o sítio onde há uma semana atrás saiu o seu primeiro dente. 

E lá estava! A espreitar, estava um dente pequenino muito reluzente e branco. A mãe sorriu.

- É uma coisa normal, podias dizer-me mais tarde. - Riu-se a mãe

- Mas eu queria que soubesses logo que ele vem aí! É o meu primeiro dente. 

A mãe passou-lhe a mão na cabeça e despenteou-lhe o cabelo. Às vezes o seu filho tinha umas ideias disparatadas.

- Agora tens de o receber bem e prometer-lhe que o vais lavar sempre que comeres, ok? - Perguntou-lhe

- Prometo.

A mãe sorriu e o filho saltou para os seus braços.

 

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21
Jan18

"Vem Ter Comigo"

João Jesus e Luís Jesus

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Espero que vejas isto que te escrevi.

Espero que faças o que te peço neste papel muito simples para ti, mas precioso para mim.

Quero que saibas que cada vez mais te tenho na minha cabeça. 

Quero estar contigo esta noite. Por isso vem ter comigo.

Vamos estar um com o outro. Podemos apenas falar um com o outro, conhecer-nos melhor. Quero saber mais sobre ti. Quero contar-te histórias engraçadas.

Quero abraçar-te Sentir os teus cabelos perto da minha cara e cheirar o seu cheiro divino. 

Vem ter comigo por favor, ou irei eu ao teu encontro. Vamos fugir juntos. 

Vamos tentar viver a vida à grande. Eu e tu, juntos a correr para um sítio aleatório. 

Por favor, vem mesmo ter comigo. Não aguento estar sem ti. Quero ver-te ao vivo e a cores.

Vem ter comigo e vamos descobrir o que é o amor.

 

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20
Jan18

"Ser Poeta" - Florbela Espanca

João Jesus e Luís Jesus

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Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior 

Do que os homens! Morder como quem beija! 
É ser mendigo e dar como quem seja 
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! 

É ter de mil desejos o esplendor 
E não saber sequer que se deseja! 
É ter cá dentro um astro que flameja, 
É ter garras e asas de condor! 

É ter fome, é ter sede de Infinito! 
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... 
É condensar o mundo num só grito! 

E é amar-te, assim, perdidamente... 
É seres alma e sangue e vida em mim 
E dizê-lo cantando a toda gente! 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" 

18
Jan18

Resenha da 1ª Temporada da Série "The Walking Dead"

João Jesus e Luís Jesus

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Hoje trago a resenha da primeira temporada de uma das série mais faladas do momento.

Confesso que já fui grande fã do seu spinn-off, "Fear The Walking Dead", mas começou a ser tão repetitivo, tão maçador que deixei de ver.

Mas agora, devido a uma série de jogos da Telltale Games (Para quem não conhece, esta companhia produz jogos de point-and-click, jogos em que tu decides o rumo da tua história. Sou um grande fã!) com o mesmo nome da série: "The Walking Dead".

Como a última temporada do jogo, sim porque os jogos de point-and-click são divididos em temporadas, ainda não saiu, resolvi atrever-me a ver outra vez o primeiro episódio da série "The Walking Dead", porque eu já tinha visto uma vez o primeiro episódio mas foi há muito tempo.

Conclusão: adorei! Fiquei completamente preso à série e em dois dias acabei a primeira temporada, de apenas seis episódios. Não tem quase nada de parecido com o início da série "Fear The Walking Dead".

Recomendo muito, mas tenham cuidado, pois existem cenas que são quase para vomitar.

A série começa com Rick numa gasolineira à procura de combustível. Estão muitos carros parados e atravessados nos caminhos e vê-se um grande rasto de destruição. 

Ele não encontra combustível e quando se prepara para se ir embora, vê uma criança com um urso de peluche na mão e a fugir dele. Ele chama por ela e quando ela se vira, ele repara que ela é um zombie. 

Para a matar, ele dá-lhe um tiro na cabeça.

A cena muda e deparamo-nos com Rick e o seu amigo Shane no carro da políca, pois ambos trabalham lá. Eles estão a almoçar e a falar sobre mulheres e é aí que recebem um aviso que dois homens estão em fuga.

Eles conseguem chegar a tempo à estrada onde os dois homens se preparam para ir e conseguem fazer com que o carro pare.

Os dois homens começam um tiroteio entre a polícia e eles. Rick consegue alvejar os dois com ajuda de Shane e os seus colegas, mas de repente aparece um terceiro homem que o alveja. Rick desmaia.

Passado algum tempo, Rick acorda na cama do hospital, passado muito tempo desde o acidente. Ele esteve em coma.

Ele chama por ajuda mas ninguém o ouve. Ele levanta-se da cama e quando sai do quarto depara-se com uma enorme destruição no hospital e muito silêncio.

Ele tenta sair do hospital, mas depara-se com um aviso estranho numa porta que diz que tem mortos dentro e para não abrir. Ele vê umas mãos estranhas e ouve grunhidos.

Ele foge para o exterior e aí descobre que quase todos estão mortos e que existem umas criaturas estranhas a que chamam "walkers" que comem as pessoas. Rick decide que tem de encontrar a sua mulher e o seu filho o mais cedo possível.

Uma coisa onde fiquei surpreso foi que os zombies são caracterizados como lentos, estúpidos e essas coisas assim, mas em "The Walking Dead" eles correm e até lançam pedras aos vidros das lojas.

Mas mesmo assim, recomendo muito esta série, pois até é interessante.

 

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17
Jan18

"Cabelos Ao Vento" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Sempre gostaste da minha farta cabeleira, desde a adolescência. Eras louco, por ela. Os meus longos cabelos castanhos-claros, quase a passarem o ombro. Dava por mim nas aulas, onde partilhávamos uma das carteiras de frente para o quadro, a fixar o olhar em ti, distraído da matéria, de tudo o que a professora explicava e te rodeava, concentrado a passar os dedos por cada fio do meu cabelo, um dia até chegaste a cheirá-lo, dizias que cheirava ao perfume das rosas.

– Qual é o perfume das rosas? – Perguntei-te eu assim sem mais nem menos só para te desafiar, para te deixar em maus-lençóis, como eu gostava de me meter contigo.

– Não sei! – Respondeste tu muito tímido e envergonhado.

– Então como é que podes dizer que o aroma do meu cabelo é como o perfume das rosas, se não o conheces?

– Tu és a minha rosa e não preciso de conhecer o teu perfume para saber que é o melhor perfume que já existiu. Basta-me senti-lo.

Conseguias sempre deixar-me sem palavras. A professora chamava-te a atenção e tu alteravas a tua postura, mas minutos depois voltavas ao mesmo.

Para ti eu era a rosa de pétalas ao vento, como ficavas maravilhado e satisfeito a ver cada madeixa a esvoaçar no ar, leve e docemente como as asas de um pássaro, gostavas de me ver com a farta cabeleira solta.

O tempo foi passando, fomos crescendo e eu quis desfazer-me da farta cabeleira, estava na altura de mudar, mas tu nunca mais foste o mesmo. Para ti eu tinha deixado de ser quem era, nunca mais me olhaste da mesma forma. Afastamos-nos um do outro, deixamos de nos falar, os nossos caminhos descruzaram-se.

Agora, passados quase 10 anos desde que esta história aconteceu, voltei à farta cabeleira de que tanto gostavas, cansei-me do cabelo curto e sem graça, foi no parque da cidade onde passeava com a minha cara-metade que nos cruzamos. Hoje trazia o cabelo apanhado numa trança, mas apesar de tudo, não deixaste de sentir-lhe o mesmo cheiro de tempos passados. A mesma suavidade, leveza e doçura. Andavas por ali a vaguear sozinho, soube que nunca tinhas encontrado ninguém que preenchesse o vazio que o que sentias por mim tinha deixado. Cumprimentamos-nos, tu tocaste-me e na despedida sussurras-te:

– É bom ter-te de novo aqui!

Beijaste-me.

E desapareceu…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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