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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

01
Nov16

“Cavalo Negro” – Parte II

João Jesus e Luís Jesus
cavalo


Cheguei ao celeiro e corri furiosamente ao encontro do Sammy! Por fim, encontrei-o de pé a comer um bocado de um monte de palha.

– Sammy! – Suspirei
O cavalo olhou para mim e relinchou levemente. Afaguei-lhe o focinho e consegui pôr-lhe a sela. Subi para cima dele e emiti dois estalidos. O cavalo começou a correr.
Como se o cavalo me entendesse, comecei a falar.
– Oh Sammy! Estou tão desolada! – Disse eu entre soluços e lágrimas – Estava tão feliz com a tua chegada e o pai já te quer levar! Ele não entende como eu gosto de ti!
O cavalo continuou a correr e emitia grunhidos à medida que falava.
Corremos para o mais longe possível e quando achamos que estávamos suficientemente longe, paramos perto de uma macieira.
Subi à árvore e colhi duas maçãs que dei ao Sammy. O cavalo agradeceu-me dando-me uma lambidela na cara.
– Sammy! – Ri-me
O cavalo deitou-se aos meus pés. Nesse momento, consegui analisar melhor o seu corpo. Forte, musculado e muito, muito preto!
– Só tu me entendes! – Sussurrei – O meu corpo e o teu podem não ser iguais, mas a nossa alma é só uma! Uma alma selvagem!
O cavalo olhou para mim com os seus olhos marejados de lágrimas. De repente, uma fugiu da sua retina e as irmãs vieram atrás!
– Vá rapagão! – Disse – Os puro-sangue não choram! Mas eu não conto a ninguém!
Subi outra vez à macieira e comi uma maçã que partilhei com o Sammy.
Olhei para o meu relógio. Os ponteiros marcavam quatro da tarde.
– Anda rapaz! Vamos para casa. – Disse-lhe
O Sammy lá se levantou com muita preguiça. Montei-o e regressamos a minha casa.
Passados alguns minutos cheguei ao celeiro de minha casa. Não via a carrinha dos meus pais, por isso deviam ter voltado à Feira.
Deixei o Sammy no campo com os outros cavalos no prado.
Fui para casa e descalcei as botas à entrada, como a minha avó quer sempre. Entrei e não ouvia nada. A casa parecia vazia.
– Avó?! – Chamei
Ouvi algo cair na cozinha.
– Aqui filha! Na cozinha! – Disse a avó
Andei até à cozinha.
– Oh Lucy! Estava tão preocupada. – Disse ela agarrando a minha cara
– Estou bem. – Disse – Onde estão os meus pais?
– Foram à feira vender algumas compotas e alguns vegetais da horta. – Disse ela
– Ok! – Disse tristonha
Estava pronta a sair da cozinha quando a avó começou a falar.
– Lucy?! Eu sei o quanto gostas do Sammy! E os teus pais também. – Disse ela
– A sério? Então explique-me o facto de o meu pai o querer separar de mim! – Disse furiosa
– O teu pai agiu sem pensar, querida! – Disse a avó – E se queres tanto o cavalo, luta por ele! Tens o espírito do teu avô!
Forte, corajoso e imparável e ainda com uma paixão enorme por cavalos!
Lembrei-me do meu avó que morrera há alguns anos atrás. Realmente, ele era igual a mim!
– Obrigada pelos conselhos avó! – Disse
– De nada! Mas como o Sammy foi apostado, receio que o teu pai não o consiga resgatar. Desculpa. – Disse a avó com a sua voz fraquinha
– O meu pai pode não conseguir fazer mais nada. – Conclui – Mas eu vou tentar!
Corri para fora de casa e vi um sorriso de orgulho na cara da avó, que finalmente me fez entender o que precisava para ter o Sammy de volta!
Calcei as botas e subi para um cavalo qualquer que apanhei. Vi o Sammy no prado a comer a erva molhada por causa das chuvas.
Se bem me lembrava, o McPhils vive no centro da cidade, o que não é muito longe. Ele vivia numa casa enorme pintada de cor-de-rosa com um portão gigantesco verde. O velhote tinha o seu próprio casino debaixo da casa, por isso presumi que ele estivesse em casa.
Desci do cavalo e atei-o a um poste.
– Se alguém te quiser roubar, por favor dá-lhe uma boa coça! – Disse-lhe ao ouvido
Entrei no casino que estava repleto de homens bêbados e cheirava imenso a tabaco. Estava a chegar ao balcão quando sinto uma mão na minha perna.
– Oh querida?! Chega aqui para me consolar. – Ordenou um velho provavelmente bêbado e notava-se que este era rico
– Tire a mão daí, seu idiota! – Ameacei
– Olha-me esta! Como se me pudesses fazer alguma coisa! – Disse ele, desafiando-me
De repente, dei um grande murro na cara do homem e a dentadura saltou-lhe para o seu copo de cerveja
– É para ter cuidado com quem se mete! – Disse
Dirigi-me ao balcão e pergunteis se podia ter uma breve conversa com o senhor McPhils. Responderam-me que aguardasse e que iam ver o que podiam fazer. Passado uns minutos, avisaram-me que podia entrar no escritório ao lado.
– Boa tarde. – Disse ele, que estava sentado numa cadeira alta bebericando o seu whisky
– Deixe-se de tretas e vamos diretos ao assunto! – Disse aproximando-me do homem
– E que assunto é esse de que quer falar? – Disse ele, já percebendo o que eu estava a tentar dizer
– Queria falar sobre a aposta do meu pai! Do puro-sangue negro. – Disse
– Ah! Então deves ser a Lucy McCollins! Que prazer em ver-te. – Gritou ele
– Já eu o contrário. Queria anular a aposta para poder ficar com o cavalo. – Declarei
– Mas querida, isso é impossível! O teu pai apostou, perdeu e agora é meu! – Sussurrou ele, bebendo mais um pouco de whisky
– Oiça lá! O cavalo é meu, não é do meu pai, logo não pode ficar com ele, pois não fui eu quem o apostei. – Gritei
– Ai é? Nome: Sammy. Raça: Puro-sangue. Sexo: Masculino. Custo: 2.000€. Vendido a Byron McCollins. – Disse ele lendo um papel
Percebi que era o registo de compra do Sammy. Não podia! Assim o velho pode ficar com ele.
Fiquei completamente paralisada. O que é que ia fazer?
– Por isso, pelos meus cálculos, o cavalo ainda é meu! – Declarou ele, triunfante
Pensei muito e muito e por fim ocorreu-me.
– E que tal um jogo de póker para vermos quem fica com o cavalo? – Perguntei
O McPhils riu-se, pois já estava à espera desta pergunta.


cavalo



01
Nov16

Citação do Dia 01/11/2016

João Jesus e Luís Jesus
"Casamento - é muito difícil conhecer uma pessoa com quem se vive muito próximo, porque há um fenómeno de desfocagem, porque se está tão próximo não há uma perspectiva para conhecer, só para amar." Agustina Bessa-Luís

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Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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