Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

13
Dez16

"O Conto dos Viajantes"

João Jesus e Luís Jesus

O-conto-dos-viajantes.jpg

Houve um dia, quatro viajantes e todos irmãos. Eles não levavam coisa alguma e nunca tinham vivido em sítio algum.

Eram filhos de D. Teodora, uma dama da corte. Ela era casada com D. Filipe, que passava a maior parte do tempo em guerras longínquas. D. Teodora queria alguém que a amasse, então traiu o grande rei com um príncipe da Tasmânia, que visitara o palácio.

A rainha quase teve um ataque quando soube que estava grávida daquele príncipe e não do marido. Então foi viver em casa da irmã durante nove meses até as crianças nascerem.

Um dia, D. Teodora teve os filhos e como achou que o rei lhe ia cortar a cabeça por causa de tamanha traição, decidiu desfazer-se dos seus filhos. Primeiro tentou matá-los, envenenando uma das suas papas, mas não teve coragem de o fazer, pois eram seus filhos.

Como não via o que fazer, decidiu entregá-los à sua irmã para cuidar deles e nunca lhes contar nada de nada. Antes disso, deu nomes a todos: ao filho mais velho, André. Ao segundo deu-lhe o nome José. Ao terceiro que era uma menina, decidiu chamar-lhe Maria. Mas ao olhar para o seu último filho, que era também uma menina, não conseguiu dar-lhe um nome.

A menina era tão feia que D. Teodora nem quis pensar no nome que lhe ia dar e deixou isso a cargo da irmã. A irmã chamou-lhe Isabel.

Teodora voltou para o seu castelo como se nada fosse. Aquela mulher era como uma cobra do deserto. Manhosa e mentirosa!

A irmã de D. Teodora cuidou dos filhos da irmã, como sendo os seus. Helena, era o seu nome e não podia ter filhos. O seu marido morrera na guerra ainda muito jovem.

Passaram-se anos e as crianças cresceram sem nunca saberem de nada. André, o mais velho, era um grande às na luta e muito belo, porém um pouco estúpido. José era um miúdo ambicioso e muito bom para as contas, mas era um grande sovina. Maria era muito bonita e vaidosa, mas tinha bom coração e pouca massa cinzenta.

A mais feia de todas, a Isabel, era uma menina de bom coração, dedicada e sempre pronta para ajudar os outros, mas como era tão feia ninguém se queria chegar perto dela.

A sua tia, sempre lhe dissera que a aparência não importava, mas sim o coração e o empenho da pessoa.

Um dia a tia adoeceu. Apanhou febre-amarela e estava muito fraca. Chamou os “filhos” e despediu-se deles, revelando apenas que eles eram grandes e nobres e também faziam parte de um grande segredo.

As crianças quiseram saber mais, mas a tia recusou-se a contar-lhe mais alguma coisa. Ao fim de algumas horas, esta padeceu.

Desoladas as crianças choraram pela tia. Era a única pessoa que eles tinham.

Tentaram continuar a viver na mesma casa com os alimentos que tinham, mas depressa acabaram e como as crianças não tinham dinheiro não sabiam o que fazer.

Procuram pelos cantos de toda a casa, tentando encontrar um pequeno cofre com meia dúzia de moedas que desse para comprar pelo menos um pãozinho.

Ao remexerem numa gaveta velha, encontraram um velho caderno com algumas folhas soltas. Este dizia: “Relato de uma mulher pobre com quatro crianças a cuidado”. Curiosos foram ver o que era aquilo. Leram e descobriram o que a tia lhes tentara explicar. Eram filhos de uma tal D. Teodora dum reino longínquo.

Ficaram estupefactos e não viram outra solução. Tinham de ir à procura da sua mãe! Tentaram fazer as trouxas com algo para levar, mas não tinham nada.

Mesmo assim, partiram à aventura.

Caminharam durante muito tempo, e passaram por todos os reinos. Já tinham passado dois anos e as crianças já tinham quinze anos. Conseguiram sobreviver graças aos conventos de freiras por onde passavam.

Em todos os reinos, nunca encontraram a tal D. Teodora. E todos desconheciam tal história.

Caminharam mais e mais, até que um dia chegaram a um reino enorme e muito bonito. Chamava-se Portugal.

Os viajantes bateram à porta do castelo e tentaram expulsá-los de lá, mas insistiram que tinham de falar com a sua mãe, D. Teodora. Os guardas riram-se mas deixaram-nos entrar.

Eles levaram os viajantes a um grande quarto onde se encontrava uma mulher velha e muito pálida na cama. Era D. Teodora.

A senhora reconheceu-os mal olhou para eles e ficou assustada no início, mas depois esboçou um fraco sorriso. O rei Filipe já tinha morrido há alguns anos e agora estava a rainha a morrer de velhice.

Ela olhou para eles e ficou impressionada com o bom trabalho que a irmã tinha feito. Olhou para todos eles e virou a cara quando viu Isabel.

Por fim, a rainha revelou que precisava de um sucessor e uma sucessora. Como aqueles eram os seus únicos filhos, tinha de escolher dois deles. O mais velho, André, seria o rei de Portugal, pois tinha nascido primeiro e era ágil na guerra.

Mas a rainha era uma tarefa difícil de escolher. Queria escolher Maria, mas esta era muito estúpida. Então fez um teste.

Primeiro, uma rainha tinha de saber vestir-se. Perguntou às duas meninas o que escolheriam para vestir. Maria disse que queria um grande vestido decorado com isto e a condizer com aquilo, porém Isabel dissera que vestia apenas um vestido azul longo e simples.

Maria estava a ganhar.

A segunda pergunta era como é que uma rainha tomava uma decisão, como aumentar os impostos. Maria respondeu que deixava isso a cargo do rei e Isabel respondeu que tinha de ter inteligência e escutar sempre o povo. Um ponto para Isabel.

A última pergunta era a seguinte. O que faziam se vissem uma criança em perigo de morte? Maria respondeu nada, pois a criança ia morrer de qualquer das maneiras e o melhor era deixá-la aos serviços dos curandeiros. Isabel respondeu que tentaria salvá-la ou fazê-la sentir melhor.

A rainha viu que só uma poderia ser a rainha. Ia ser Isabel. Apesar da sua terrível aparência, esta tinha bom coração e tudo para governar bem o reino.

assinatura-jj

 

Mais sobre nós

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

letrasaventureiras@sapo.pt

Direitos de Autor

Plágio é CRIME! Não me importo que utilizem os meus textos desde que os identifiquem com o nome pelo qual os escrevo ou o link do blogue. As fotografias que utilizo são retiradas da internet, no entanto, se houver alguma fotografia com direitos de autor: estes não serão esquecidos. Obrigada!

Autora do Banner

DESIGNED BY JOANA ISABEL